sábado, 21 de fevereiro de 2009

Caminho pela estrada


Caminho pela estrada
Sinto a solidão
Não é minha
Não é tua
É nossa
Ambos sentimos Sua ausência
Mas ausência do quê?
Cruzaste o meu caminho
Mas ambos já partilhávamos o mesmo destino
Diz-me meu Anjo
E agora o que de nós vai ser?
Seremos os renegados?
Tristes condenados?
Eras o meu Anjo
E eu pequei
Era o teu protegido
E tu erraste no perdão
Éramos parte um do outro
Em ti buscava companhia
Na minha mente tu buscavas refugio
E agora frente a frente
Olhos nos olhos
Só conseguimos ver
Triste simetria
Do que já fomos um dia
Gestos iludidos
Sonhos perdidos
Ironia
As tuas asas elevavam-te
Os meus sonhos da terra me libertavam
E agora?
Como sobreviver na solidão
Sonhos perdidos
Asas partidas
Não te preocupes agora
Com este mundo de dor
Serei o teu Anjo da Guarda
Neste caminho sem cor?
És Anjo caído
E isso faz de mim o quê?
Estamos ambos cansados
Mas ambos habituados
Em ti pesam as Eras
Em mim a Vida

Seguimos pela estrada
A paisagem muda
A noite fica
Já reparaste que nos movemos nas sombras?
Mas na sombra de quem?
Não é tristeza que nos invade
Mas triste melancolia
Vagueámos pelo silêncio
Presos no momento
Habitando em torres de tormento

De nós próprios exigimos demais
Queremos demais
Não nos contentamos como os comuns mortais
Mas chega a hora tardia
Noite de Inverno sombria
E percebemos
Que nada somos
Para além do que seremos
Não éramos um de dois
Mas dois de um
Vivemos a solidão
Na companhia um do outro
Vivemos a solidão
Sendo de nós próprios
Anjo Guardião

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